SEXTO PECADO CAPITAL

se7en-sloth

Preguiça (do latim Acedia), segundo a tradição cristã, é o pecado de não fazer nada de útil com o dom de Deus que é a vida. (Contradizendo assim com o conceito de livre-arbítrio, mas enfim…)

Qualquer hora me aprofundo melhor nos pecados capitais; rendem ÓTIMAS reflexões. Porém hoje estou pecando excessivamente através da dita cuja. (por isso não terá “textão”).

Estou com preguiça das coisas, preguiça das pessoas, preguiça de escrev… ZzzZz

Nós vemos um pecado capital em cada esquina, em cada lar, e o toleramos. Porque é algo comum. É trivial.” – John Doe (Kevin Spacey, em Sev7n)

A IGNORÂNCIA É UMA BENÇÃO (?)

Não há de ser difícil entender a qual tipo de ignorância me refiro. Como de costume, já que certas coisas ainda continuam não mudando (mesmo após dois anos de hiato desta que vos escreve), voltei.

No ramo da filosofia, os filósofos mais antigos chegavam a um senso comum quando se tratava de sabedoria x ignorância. Quem me conhece sabe que quase sempre cito Aristóteles como referência para análise, porém hoje é o dia de seu professor, Platão. Com ele, não restava dúvidas de que o único mal de um homem seria sua ignorância, já que para a filosofia ocidental a sabedoria era a maior virtude do ser humano.

“Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem; e a ignorância que é um mal.”

Continuando com ele, um de seus mais famosos textos, a Alegoria das Cavernas, que se encontra em sua obra A República, trata-se da exemplificação de como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade. Onde discute-se a teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal.

Imaginemos todos os muros bem altos separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.
Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.
Imagine que um dos prisioneiros seja libertado e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles. descobriu também que as meras “projeções” não definiam a verdadeira forma das coisas que eram agora acompanhados de cores, formas e luz assim como a natureza.
Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá, segundo Platão, sérios riscos – desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomarão por louco e inventor de mentiras. (fonte: wikipedia)

OBS. Qualquer semelhança com Matrix NÃO é mera coincidência. 

O “problema” do Mito da Caverna pode ser explicado de forma bem simples: é como se você acreditasse desde que nasceu, que o mundo é de uma forma, e então vem alguém e diz que quase tudo aquilo é falso, e tenta te mostrar novos conceitos completamente opostos. Ele nos convida a nos imaginar comparavelmente à situação da caverna: ilusoriamente, como os homens acorrentados a falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por isso tudo, inertes em suas poucas possibilidades.

Eu posso chamar o meio em que vivi e cresci de caverna. Onde segui ouvindo através de sombras sobre o que poderia haver além dos muros, e era (e ainda sou) cercada por pessoas que me faziam acreditar que não precisava sair, que tudo o que havia estava ali… Todas as ideias, todas as crenças, toda a forma de vida era a única que existia e deveria ser seguida por ser a correta – mas na verdade além de estar errônea, era a mais covarde e óbvia. E então entre continuar tomando a pilula azul, eu escolhi a vermelha (vai ter referência à Matrix SIM). Trinity no começo do filme diz que “A verdade está lá fora” (ainda Matrix, não X-Files), e este “lá fora” para mim nada mais é do que viajar. Depois que você toma a sua red pill e se permite a sentir as coisas de uma outra forma, não tem volta. Você volta para a caverna e tenta explicar em vão suas teorias e filosofias, porém as pessoas que aqui vivem jamais irão entender. Sócrates, professor de Platão e considerado o “pai da filosofia”, foi morto pelos Atenienses pois seus pensamentos e ideias estavam muito além do que eles estavam preparados para aceitar. Não, ninguém irá me matar (espero), porém, continuarei sendo incompreendida.

Muitas pessoas saem brevemente da caverna, porém, nem todas conseguem enxergar. Ainda continuando com Platão, além da motivação pela morte de Sócrates, o que o fez redigir essa parábola foi sua Teoria das Ideias. Ela afirma que formas (ou ideias) abstratas não-materiais (mas substanciais e imutáveis) é que possuem o tipo mais alto e mais fundamental da realidade e não o mundo material conhecido por nós através da sensação.  As coisas que captamos com os “olhos do corpo” são formas físicas, as coisas que captamos com os “olhos da alma” são as formas não-físicas; o ver da inteligência capta formas inteligíveis que são as essências puras. As Ideias são as essências eternas do bem, do belo e etc. Para ele há uma conexão metafísica entre a visão do olho da alma e o objeto em razão do qual tal visão não existe. 

É difícil ter que voltar e viver na caverna. Tem vezes que me arrependo por ter escolhido aquele comprimido…

INFELICIDADE

Dostoievski disse certa vez que A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é infeliz.

farel_dostoevsky

 

Alguns podem entender e interpretar que, a partir da descoberta da origem da tristeza, seja mais fácil exterminá-la para a busca da alegria.

… só que não.

Não acho que ele quis dizer o pé na bunda que você tem que superar, a perda que você tem que aprender a lidar, ou o vício que você deve largar.

Quando o ser humano percebe que é um ser de desejo, e aceita que isso seja a gloria de sua espécie (e também a própria desgraça), ele se dá conta de que sua tristeza nunca terá fim – apenas motivos diferentes(?); e então se adapta a viver feliz com a sua infelicidade.

Pessoas não são infelizes por diferentes razões. Há um um único por quê: pessoas são infelizes pelos desejos que não conseguem tornar reais; e estes sim, é que diferem.

No momento eu só desejo dormir. Então posso pressupor que a vida tá menos infeliz hoje.

 

 

“JÁ VISTO”

– Uau, Trinity. Tive um déjà vu….
– Um déjà vu é uma falha da Matrix, Neo. Acontece quando estão consertando alguma coisa… (MATRIX, 1999)

Será um déjà vu apenas uma falha da realidade virtual da nossa mémoria, ou será que existe de fato essa reação psicológica – ou paranormal – que faz com sejam transmitidas ideias de que já se esteve em determinado lugar antes, já se presenciou tal momento, ou qualquer outro elemento externo?

Para a ciência, a explicação não é óbvia, e sim um tema difícil. Por uma razão simples: se você fosse um cientista, iria pegar alguém na rua, levar para o laboratório e esperar o sujeito ter um déjà vu para ver o que acontece? Eles também não.

Cientificamente falando, o déjà vu acontece quando há uma falha no cérebro. Os fatos que estão acontecendo são armazenados diretamente na memória de longo ou médio prazo, sem passar pela memória imediata. Isso nos dá a sensação de que o fato já ocorreu .

Óbvio que para eles, a explicação mais fácil é dizer que nosso sistema operacional vem com alguns bugs de fábrica; e óbvio que, paranoica que sou, não atribuo esse fenômeno a um descuido de uma das senhoras Memórias.

Gosto de pensar que a Vida(ou o que houver por trás dela), deve curtir nos intrigar. Acho até que ela deve se divertir demais com isso; esse lance de deixar a gente confuso e se perguntando qual o “porquê” de tal coisa…

Pois é. Estou me divertindo também.

Logo eu que, quase sempre achava explicação pra tudo… agora só posso achar graça.

E A EXPECTATIVA RESSURGE

Tu te tornas eternamente decepcionado pelas expectativas que cria.

Certeza que Saint-Exupéry preferia ter escrito isso ao invés daquele bla bla bla de ser responsável pelo o que cativamos. Ninguém pode ser responsabilizado ou culpado pela ingenuidade da expectativa criada da outra pessoa.
Ela que tome no cu por ser besta!

(Fui ali tomar no cu e já volto…)

O QUE É DEMAIS NUNCA É O BASTANTE

Por que raios sofremos tanto? Por que a gente automaticamente esquece o que já realizou ou conseguiu e passa a sofrer pelas nossas projeções e desejos idealizados?

E ai sofre por ficar preso em vontades reprimidas e praticamente impossíveis; como viajar por todas as cidades que gostaríamos de conhecer ao lado da metade da nossa laranja e não conhecemos (pela falta de tempo, de dinheiro, ou por não encontrar a tal da metade da laranja – ou por encontrar e ela ser um bagaço, enfim);

Sofre não porque nosso trabalho é desgastante e não paga o quanto gostaríamos (qual seria o limite que iria te satisfazer, de qualquer forma?), mas por todas as horas livres que abdicamos por ele;

Sofre não porque a vida passa muito rápido e logo se vê o quanto estamos envelhecendo, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo todas as milhares de coisas que imaginávamos fazer; todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar (as tais projeções idealizadas);

Sofre porque somos e seremos eternamente seres de desejo. E como tais, nunca estaremos satisfeitos. E no fundo acho que a gente gosta disso.  Eu pelo menos gosto. Às vezes. Eu acho.

A NOITE ARREMESSARÁ OUTROS DADOS

Meu rivotril já era. Três da manhã e a sensação física e mental é de sete da noite. O que fazer? Se eu começar a contar carneirinhos temo que chegue na idade de algum dinossauro!

Hoje estava parando para pensar (como se eu já não fizesse isso todo o tempo, mas enfim…), deixei o Ipod no aleatório e começou a rolar ‘Três Lados’ do Skank. Fiquei com o trecho ‘[…] tudo tem três lados…’ na cabeça. E analisando, faz sentido. Adequando à minha vida, diria que meus três lados são: meu facebook(a parte que sou feliz pácarai); meu blog(a parte que sou depressiva pácarai); e eu na vida real(o conjunto disso tudo com menos alegria – mas também com menos drama (UFA)). E percebi que meu verdadeiro Eu só cabe a mim, porque nem tudo pode ou deve ser exposto (e percebi que tô sabendo legal sobre ele, já que nunca sei de nada e estou mais perdida que filho de rameira em dia dos pais (ah!, e percebi que estou usando parênteses demais no post hoje também (e percebi que falei muito ‘percebi’)))