O EXISTENCIALISMO ATEU E A IRONIA

 

Sócrates, Wittgenstein, Sartre e Nietzsche. Abaixo: Kant, Marx, Barthes e Foucault.

Sócrates, Wittgenstein, Sartre e Nietzsche. Abaixo: Kant, Marx, Barthes e Foucault.

O existencialismo é uma doutrina ético-filosófica e literária que destaca a liberdade individual, a responsabilidade e a subjetividade do ser humano. Ele considera cada homem como um ser único que é mestre dos seus atos e do seu destino.

Há duas linhas existencialistas famosas. A primeira, de Kierkegaard, Schopenhauer, Nietzsche e Heidegger é agrupada intelectualmente. Esses homens são os pais do existencialismo e dedicaram-se a estudar a condição humana. A segunda, de Sartre, Camus e Beauvoir, era uma linha marcada pelo compromisso político. E a maioria dos existencialistas eram ateístas.

“O existencialismo ateu, que eu represento (…) declara que se Deus não existe, há ao menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por algum conceito e que esse ser é o homem ou, como diz Heidegger, a realidade humana. O que significa aqui que a existência precede a essência? Isso significa que, primeiramente, existe o homem, ele se deixa encontrar, surge no mundo, e que ele só se define depois. O homem tal como o concebe o existencialista não é definível porque, inicialmente, ele nada é. Ele só será depois, e ele será tal como ele se fizer. Assim, não existe natureza humana, já que não há Deus para concebê-la. O homem é apenas não somente tal como ele se concebe, mas tal como ele se quer, e como ele se concebe após existir, como ele se quer depois dessa vontade de existir – o homem é apenas aquilo que ele faz de si mesmo. Tal é o primeiro princípio do existencialismo.” Jean Paul Sartre

A ironia para os existencialistas ateus é a de que não importa o quanto você faça para melhorar a si ou aos outros, você sempre vai envelhecer e morrer. Muitos existencialistas acreditam que a grande vitória do indivíduo é perceber o absurdo da vida e aceitá-la. Resumindo, você vive uma vida miserável, pela qual você pode ou não ser recompensado por uma força maior. Se essa força existe, por que os homens sofrem? Se não existe e a vida é absurda assim mesmo, por que não cometer suicídio e encurtar seu sofrimento?

E ai? Por quê? Realmente. Grande vitória. Feliz Natal e parabéns – para nós.

fonte: wikipedia

MUDANÇA, SEGUNDO FREUD

Existe realmente mudança de atitudes ou apenas uma melhora de comportamento? Freud explica (ou tenta):

'Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda.' Sigmund Freud

Segundo ele, a dificuldade que nós, seres humanos temos em relação a mudar de comportamento, é um fator patológico e até é descrito como um tipo de resistência. Não há realmente segurança senão no previsível, mesmo que isto signifique infelicidade e sofrimento. Freud aprofundou bastante o estudo sobre resistências em “Inibição, sintoma e ansiedade” (1926).

Nossa ‘resistência’ é provinda do Id, onde ele considerava que esta estaria ligada à ‘compulsão à repetição’ (já falei sobre isso no blog, aqui), onde essa compulsão nada mais é do que o processo de reviver interminavelmente determinada neurose; assim sendo, quando alguém repete um relacionamento ou acontecimento frustrado, seria uma tentativa de descarregar a energia acumulada ou represada até conseguir o êxito de sua missão (para satisfazer o ego; ou pelo simples medo do novo). Logo, a mudança se torna algo tão difícil.

Em defesa ao ego, o homem é capaz de contrariar até mesmo o nível básico da lógica; podendo negar evidências, criar falsas memórias, distorcer percepções, ignorar fatos científicos e até mesmo desencadear uma perda de contato com a realidade.

Basicamente, só mudamos quando a atual realidade é realmente insuportável (e olhe lá). Se ficarmos no transtorno da neurose, não evoluímos e ficamos em um ciclo de repetir os mesmos erros, reviver as mesmas situações traumáticas e dolorosas, e usando mecanismos de defesa para não admitir tudo isso.

Eu não sei se acredito em mudanças. House com o seu ‘people don’t change’, me parece tão mais real. Sempre bati a tecla na tese de que as pessoas passam a engolir determinadas situações, ou reprimir suas vontades; e daí a gente assemelha isso a uma ‘mudança’ – quando na verdade não é.

Somos o que somos, e somos principalmente, o que fazemos COM o que somos. Ou a gente se aceita; ou aceita os outros (com toda a bagagem de defeitos). Esperar algo diferente disso, é ilusão.

REFINADA, EU? NÃO, NÃO

Caramba! Faz tempo demais que não escrevo. Digo, aqui no blog, né? Porque depois da maratona de provas da faculdade meus dedos estão até calejados! Hoje de longe seria o pior dia para voltar a postar. MAS, tô nem ligando.

Estava procurando uma postagem antiga minha, sobre o Freud. Eis um trecho dela aqui:

‘Nos privamos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, e guardamos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados. Por que não nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Por que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, nos esforçamos mais para evitar o sofrimento do que pela busca do prazer.’

Sigmund Freud

…acho que não estou na categoria dos refinados. não mesmo. (arquivo. julho/2011)

Há seis meses atrás, eu supunha que não era refinada. Hoje cheguei em uma conclusão: DEFINITIVAMENTE não sou mesmo. Sei lá se é porque o sofrimento não bate na minha porta com muita força, mas desprazeres não me afetam tanto (ou não afetam o quanto deveriam – vamos colocar assim); OU ENTÃO, os prazeres é que me afetam numa escala infinitamente superior. Bom, I don’t know. Muita suposição, muita cerveja, e muitas horas passadas da madrugada para tentar achar um porquê.