MERA COINCIDÊNCIA (SERÁ?)

Coincidência s.f. Ação ou efeito de coincidir.
Realização simultânea de dois ou mais acontecimentos, simultaneidade.
Algo disposto de maneira igualitária ou idêntica.
Realização de alguns eventos que acontecem à sorte e em simultâneo, mas que aparentam ter algo em comum.
Afluência de algo para um fim comum.

Coincidência é o termo utilizado para se referir a eventos com alguma semelhança mas sem relação de causa e consequência. Por exemplo, jogar uma moeda não viciada e obter três caras consecutivamente é uma coincidência, não existe relação de causa e efeito entre o resultado anterior e o próximo resultado. Quando muitos eventos ocorrem simultaneamente é esperado que ocorram muitas coincidências também. (via wikipedia)

Engraçado que jogando no google essa palavra, a tal da coincidência, você acha mais resultados ligados à superstição do que a fatos em si. Em psicologia eles criaram termos para descrever essa tendência natural que temos muitas vezes em identificar padrões onde eles não existem e fornecer significados. O primeiro, chamado de Apofenia, é um importante fator na criação de crenças supersticiosas, da crença no paranormal e em ilusão de ótica. Já a Pareidolia é um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado; é comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, e outros tantos objetos e lugares. Ou seja, enquanto o primeiro está mais ligado à crenças, o segundo está mais ligado à percepções.

Se um psiquiatra fosse me avaliar HOJE, além de dizer que sou doida de pedra e não tenho cura, diria que ando sofrendo dos dois distúrbios. Que ando paranoica, e que estou tentando achar sinal até na janela embaçada da minha cozinha. E se eu tivesse direito à resposta, diria que estou pouco me importando com os termos científicos; e que por mais racional que eu seja – ou era, certas coisas realmente não têm explicação. Lógica nenhuma explica; Estatística nenhuma explica; Sorte não explica; Universo não explica; Muito menos Freud explica.

POT-POURRI, (MEU)

 
Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou (Legião Urbana)
Mas quando não se pode mais mudar tanta coisa errada,
Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo. (CBJR)
Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir… (Lulu Santos)
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá … (Chico Buarque)
Encerrando ciclos,
Fechando portas,
Terminando capítulos,
Não importa o nome que damos.
O que importa é deixar no passado
Os momentos da vida que já se acabaram. (Paulo Coelho)
A dor vai fechar esses cortes (Titãs)
Eu vou…
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não… (Caetano Veloso)
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também. (Oswaldo Montenegro)
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens… (Legião Urbana)

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

Sabe aquele papo que a formiga é muito sensacional por conseguir carregar até 50 vezes o seu peso? Eu também deveria ser muito sensacional. Carrego o meu peso (que já possui uma bagagem considerável), e como se não bastasse, ainda carrego o peso dos outros. Meus ombros já carregam o mundo, e ele não pesa apenas a mão de uma criança (quem me dera se assim fosse).

Sinto que futuramente terei problemas crônicos na coluna…

A FACTO AD JUS NON DA TUR CONSEQUENTIA

(O título deste post é um provérbio antigo em latim; sua tradução significa “Contra fatos não há argumentos”)

Fatos? Mas que fatos? Nietzsche já dizia que não há fatos eternos, assim como também não há verdades absolutas. Fatos não existem, o que existem são interpretações. Nesse sentido, a verdade em relação a um determinado fato torna-se dependente da perspectiva (perspectivismo) que utilizamos para interpretá-lo.

Para ele a perspectiva mais adequada para interpretar um fato é sempre aquela que alavanque a vida e a vontade de poder. Ou seja, a verdade não passa de um ponto de vista. Cada qual se acha em suas razões, formando sua opinião a determinada coisa.

Tudo é argumentável. Feliz daquele que não cai na ignorância.

“Não há que ser forte. Há que ser flexível”

E ser flexível não é sinônimo de fraqueza ou falta de personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja a situação, sempre existem dois lados.

O PASSADO

“Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.”

Fernando Pessoa

Que coisa é essa que a gente tem de idealizar o passado? Independente da época que vivemos, acreditamos que na fase anterior, estávamos melhores.

Culpa da gente, que tem essa mania de querer esquecer fatos que não gostaríamos de lembrar. Isso tem explicação, e em pscicologia recebe o nome de “memória seletiva”, ou seja, fazemos uma seleção do que realmente queremos esquecer. Daí no presente, você começa a se recordar do seu passado (mas só das coisas legais), e fica tão difícil se sentir feliz novamente.

UM TEXTO QUALQUER…

“Um cidadão fez voto de desapego e pobreza. Dispôs de todos os seus bens e propriedades, reservou para si apenas duas tangas, e saiu pelo mundo afora em busca de todos os sábios, medindo na verdade o desapego de cada um. Levava apenas uma tanga no corpo.
Estava convencido de não encontrar quem ganhasse de si em despojamento, quando soube de um velho guru. Tomando as direções, parte ao encontro do velho sábio.
Quando lá chegou, tristeza e decepção! Encontrou terras bem cuidadas, um palácio faustoso, muita riqueza, muita pompa. Indignado, procura pelo guru. Um velho servo lhe diz que ele está em uma ala dos magníficos jardins com seus discípulos, estudando desapego. Como era costume da casa Ter gentileza para com os hóspedes, o servo convida o andarilho para o banho, repouso e refeição, antes de se dirigir à presença do sábio.
Achando tudo muito estranho, o desapegado aceita a sugestão. Toma um bom banho, lava sua tanga usada, coloca-a para secar no quarto e sai em busca do guru. Completamente injuriado, queria contestar e desmascarar aquele que julgava um impostor, pois em sua concepção desapego não combinava com posses. Aproxima-se do grupo, que ouve embevecido as palavras do mestre e fica ruminando um ardil para atacar o guru, quando, correndo feito um doido, chega um dos serviçais gritando:
– Mestre, mestre, o palácio está pegando fogo, um incêndio tomou conta de tudo. O senhor está perdendo uma fortuna! O sábio, impassível, continua sua prédica. O desapegado viajante das Tangas dá um salto e sai em desabalada carreira, gritando:
– Minha tanga, minha tanga, o fogo está destruindo minha tanga…”
(Autor desconhecido)

 

ESCRAVA SOU EU, TU, NÓS, E ELES

“A liberdade é a possibilidade do isolamento […] Se te é impossível viver só, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas do espírito, todas da alma: és um escravo nobre, ou um servo inteligente: não és livre.”

(O trecho acima foi extraído de O Livro do Desassossego, por Bernardo Soares – um semi-heterónimo de Fernando Pessoa)

Quando vivemos em sociedade, nos envolvemos com outras pessoas que de certa forma terão algum tipo de influência sobre nós. Somos escravos de ideais sociais; de nossos conceitos morais, éticos e religiosos; de nossos amores; de nossos empregos; de nossas famílias… Sempre viveremos para de alguma forma afetar outras pessoas – e sermos afetados por elas também. Nossa sobrevivência depende dessa escravidão.

Nenhum ser social pode se considerar livre. E eu nem acredito que alguém de fato busque isso. Nem que se quisesse viver no meio da selva de forma primitiva, ainda assim seria escravo. Escravo do ambiente que vive – ao ter que se adaptar a ele.

Todos somos escravos. Fernando Pessoa com seu semi-heterónimo ao escrever esse fragmento que citei no começo do post, sabia disso. Bernardo Soares tanto sabia, que carregava consigo a angústia de não poder fazer nada a respeito. O texto termina assim:

“Fecho, cansado, as portas das minhas janelas, excluo o mundo e um momento tenho a liberdade. Amanhã voltarei a ser escravo; porém agora, só, sem necessidade de ninguém, receoso apenas que alguma voz ou presença venha interromper-me, tenho a minha pequena liberdade, os meus momentos de excelsis. Na cadeira, aonde me recosto, esqueço a vida que me oprime. Não me dói senão ter-me doído.”

Melhor ser realista (mesmo que isso soe meio deprimente), do que ser um iludido. Já nascemos todos aprisionados nessa selva de pedras. Podemos até nos esconder à noite em nossas cavernas, mas pela manhã não tem jeito: temos que sair.

TRAGÉDIA, SEGUNDO ARISTÓTELES

Tragédia (do grego antigo τραγῳδία, composto de τράγος “bode” e ᾠδή “canto”) é uma forma de drama, que se caracteriza pela sua seriedade e dignidade, frequentemente envolvendo um conflito entre uma personagem e algum poder de instância maior, como a lei, os deuses, o destino ou a sociedade.

O filósofo Aristóteles teorizou que a tragédia resulta numa catarse da audiência e isto explicaria o motivo dos humanos apreciarem assistir ao sofrimento dramatizado. Explicando melhor esse conceito de “catarse”, ele se refere à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama. Segundo o filósofo grego, se um homem bom passa da má para a boa fortuna, nós não sentiremos terror; se um homem bom passa da boa para a má fortuna, nós ficamos com pena, e não sentimos compaixão nem terror; se um homem mau passar da boa para a má fortuna, nós ficamos felizes da vida; e se um homem mau passar da má para a boa fortuna, nós sentimos repugnância. Ou seja, é preciso que o herói trágico passe da “felicidade” para a “infelicidade” por algum motivo para atingir a catarse.

A tragédia clássica deve cumprir, ainda segundo Aristóteles, três condições: possuir personagens de elevada condição (heróis, reis, deuses), ser contada em linguagem elevada e digna e ter um final triste, com a destruição ou loucura de um ou vários personagens sacrificados por seu orgulho ao tentar se rebelar contra as forças do destino.

Se minha vida fosse uma peça da tragédia clássica aristotélica, diria que ainda faltam requisitos, e principalmente um final – já que “OI?” ainda estou por aqui. Então prefiro acreditar estar num enredo de comédia dramática, pois se assim for, ainda resta alguma esperança.

fonte: wikipedia