A REPETIÇÃO NA PSICANÁLISE (DE FREUD)

Freud

Freud chamou de “compulsão à repetição” o processo de reviver interminavelmente determinada neurose; assim sendo, quando alguém repetia um relacionamento ou acontecimento frustrado, seria uma tentativa de descarregar a energia acumulada ou represada até conseguir o êxito de sua missão.

Freud associou tal complexo ao instinto de morte inato no ser humano, pois o prazer absoluto ou a ausência da dor apenas seriam obtidos no retorno ao inanimado, que seria a morte. Embora tal conceito até o presente seja um tanto difícil de ser elaborado, não precisamos ir muito longe para vermos que determinadas pessoas possuem um núcleo doentio de sempre estarem repetindo suas experiências mais dolorosas. porém, o que Freud deixou de mencionar é que a repetição na sua essência é um desafio imposto pelo ego frente ao orgulho ferido. a pessoa, mesmo sabendo do risco da continuidade de determinada desgraça, aceita novamente uma situação similar, como o jogador compulsivo.

(trecho extraído do livro Vacaciones de Ana Paula Barbi)

 

Para (eu) refletir…

EU, QUE POR TANTO TEMPO ME AUSENTEI, VOLTEI

…férias vêm (grazádeus, né?), e vocês vêem o retorno do blog.

Treze de junho não me lembrava nada em específico, e o post de hoje nada mais seria do que um breve ‘opa! tô de volta no pedaço‘, mas já que o google está aí para mostrar para a gente coisas não muito importantes:

Hoje seria o aniversário de 123 anos de Fernando Pessoa. Isso mesmo: cen-to e vin-te e três a-nos (tá vendo o por quê do ‘não muito importante’? ) Enfim, relevando ou não o  mérito da data, é inegável a grande importância no contexto literário português desse autor, considerado um dos maiores poetas da nossa língua. Por essas e outras, achei que o cara merecia uma lembrança por aqui…

Por ora, deixo um poema bem conhecido (e particularmente um dos meus favoritos), de um dos heterônimos do escritor, ‘Álvaro de Campos’:

POEMA EM LINHA RETA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão princípe – todos eles princípes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Quem contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


CHARLES BUKOWSKI

‘Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você para fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.’

Charles Bukowski

Henry Charles Bukowski Jr (Andernach, 16 de Agosto de 1920 – ± Los Angeles, 9 de Março de 1994) foi um poeta, contista e romancista de origem alemã mas criado na América. Sua obra obscena e estilo coloquial, com descrições de trabalhos braçais, porres e relacionamentos baratos, fascinaram gerações de jovens à procura de uma obra com a qual pudessem se identificar. (Extraído da Wikipédia. Descrição curta e sem delongas)

 

Ao longo do caminho, vou falar muito sobre esse autor, e também sobre algumas de suas obras. Motivo? Vários que nos próximos textos vocês entenderão… Hoje deixo para reflexão (da própria autora deste blog) apenas o trecho de uma entrevista que Bukowski deu à London Magazine na edição de dezembro 1974-janeiro 1975.