MUDANÇA, SEGUNDO FREUD

Existe realmente mudança de atitudes ou apenas uma melhora de comportamento? Freud explica (ou tenta):

'Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda.' Sigmund Freud

Segundo ele, a dificuldade que nós, seres humanos temos em relação a mudar de comportamento, é um fator patológico e até é descrito como um tipo de resistência. Não há realmente segurança senão no previsível, mesmo que isto signifique infelicidade e sofrimento. Freud aprofundou bastante o estudo sobre resistências em “Inibição, sintoma e ansiedade” (1926).

Nossa ‘resistência’ é provinda do Id, onde ele considerava que esta estaria ligada à ‘compulsão à repetição’ (já falei sobre isso no blog, aqui), onde essa compulsão nada mais é do que o processo de reviver interminavelmente determinada neurose; assim sendo, quando alguém repete um relacionamento ou acontecimento frustrado, seria uma tentativa de descarregar a energia acumulada ou represada até conseguir o êxito de sua missão (para satisfazer o ego; ou pelo simples medo do novo). Logo, a mudança se torna algo tão difícil.

Em defesa ao ego, o homem é capaz de contrariar até mesmo o nível básico da lógica; podendo negar evidências, criar falsas memórias, distorcer percepções, ignorar fatos científicos e até mesmo desencadear uma perda de contato com a realidade.

Basicamente, só mudamos quando a atual realidade é realmente insuportável (e olhe lá). Se ficarmos no transtorno da neurose, não evoluímos e ficamos em um ciclo de repetir os mesmos erros, reviver as mesmas situações traumáticas e dolorosas, e usando mecanismos de defesa para não admitir tudo isso.

Eu não sei se acredito em mudanças. House com o seu ‘people don’t change’, me parece tão mais real. Sempre bati a tecla na tese de que as pessoas passam a engolir determinadas situações, ou reprimir suas vontades; e daí a gente assemelha isso a uma ‘mudança’ – quando na verdade não é.

Somos o que somos, e somos principalmente, o que fazemos COM o que somos. Ou a gente se aceita; ou aceita os outros (com toda a bagagem de defeitos). Esperar algo diferente disso, é ilusão.

REFINADA, EU? NÃO, NÃO

Caramba! Faz tempo demais que não escrevo. Digo, aqui no blog, né? Porque depois da maratona de provas da faculdade meus dedos estão até calejados! Hoje de longe seria o pior dia para voltar a postar. MAS, tô nem ligando.

Estava procurando uma postagem antiga minha, sobre o Freud. Eis um trecho dela aqui:

‘Nos privamos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, e guardamos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados. Por que não nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Por que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, nos esforçamos mais para evitar o sofrimento do que pela busca do prazer.’

Sigmund Freud

…acho que não estou na categoria dos refinados. não mesmo. (arquivo. julho/2011)

Há seis meses atrás, eu supunha que não era refinada. Hoje cheguei em uma conclusão: DEFINITIVAMENTE não sou mesmo. Sei lá se é porque o sofrimento não bate na minha porta com muita força, mas desprazeres não me afetam tanto (ou não afetam o quanto deveriam – vamos colocar assim); OU ENTÃO, os prazeres é que me afetam numa escala infinitamente superior. Bom, I don’t know. Muita suposição, muita cerveja, e muitas horas passadas da madrugada para tentar achar um porquê.

E O ASSUNTO DE HOJE… SONHOS (PARTE II, A ANÁLISE DE FREUD)

…Continuando o post anterior:

Segundo a teoria de Freud: os sonhos são a manifestação de desejos reprimidos. Ponto. Vários sonhos, de fato, parecem ser isso mesmo. Se você está com sede, provavelmente vai sonhar que está bebendo água. Mas não podemos já começar falando sobre isso, sem falar melhor sobre o pensamento de Freud sobre a nossa consciência. (Quem quando criança nunca sonhou que estava no banheiro fazendo xixi e depois acordou na cama todo molhado, que atire a primeira pedra)

Os níveis de consciência segundo Freud estão distribuídos entre as três entidades que formam a mente humana, o Id, o Ego e o Superego. Segundo ele,  o cérebro é dividido em três partes. Onde aproximadamente de 96% a 97% é inconsciente, 3% é razão e o restante do quase 1% é o subconsciente que fica fazendo o trâmite entre o inconsciente e a razão.

Dentro do inconsciente, temos duas coisas: o que ele chamava de Id, que significa o desejo e o prazer (Freud acreditava que o desejo no homem é inato, ou seja, que já nascemos com ele automaticamente, e só o perdemos na hora da nossa morte. Desejo em pessoas, em coisas, em atos). A outra parte ele denominou de Superego, que ao contrário do prazer, significa o dever, ‘o que temos que fazer’. Então a razão (Ego) nada mais é do que um princípio de realidade.

Por exemplo, você tem uma aula muito chata na faculdade, matéria importante que certamente irá cair na prova. Última aula, quase dez horas da noite. E… te chamam para ir ao cinema (óbvio que eu pensei em ‘bar’, mas vamos para um exemplo mais comportado). Um pessoal que você não vê há um tempo. O que você faz?

Seu cérebro automaticamente vai pender para o seu desejo, que é ir ao cinema, vai pender para o Id. MAS, seu Superego sabe que você precisa de nota e tem que estudar. E o que faz você tomar essa atitude, é a sua parte da razão. Você pode tomar sua decisão em qualquer um dos dois lados. Seu cérebro cria desculpas para você ir para o lado do Id, do desejo. Do tipo ‘ah, depois eu pego a matéria com algum amigo’; ‘posso não ter mais essa oportunidade de sair de novo’; ‘não vou me levar muito a sério’; e etecéteras. Partindo dessa ideia, é que podemos entender porque algumas pessoas agem mais pela razão, e outras pela emoção (desejo). Porque possuem um dos lados mais acentuados.

Quando crianças, somos totalmente Id, ou seja, levados pelo desejo. Queremos tudo, e queremos na hora. É a função dos pais dizer o ‘não’, porque ainda não temos razão para saber o que é certo e o que é errado. Quando criamos o princípio da razão, que desenvolvemos nosso Ego, ai sim passamos a usar o Superego.

Agora que já falei sobre onde se encaixa o ‘desejo’ na nossa mente, voltemos a falar sobre os sonhos e sobre a teoria de Freud: ‘Os sonhos são a manifestação de desejos reprimidos‘. Freud atribui ao sonho um caráter simbólico, formado a partir de dois mecanismos básicos: a condensação e o deslocamento, que servem para distorcer o desejo reprimido – ou recalque, como preferem os psicanalistas – e driblar a censura que nos impomos, no sono ou na vigília. A condensação é um processo de síntese (um sonho relatado em um parágrafo pode render muitas páginas de interpretação) e o deslocamento transfere a importância do tema em destaque para outro sem relevância

O problema em dizer isso é óbvio. A maior parte dos sonhos não tem nada a ver com desejo. Uns são tão banais que não podem entrar nessa classificação. Outros são pesadelos. Alguém deseja cair de um penhasco? Ver um ente querido morrer ou sofrer um acidente de carro? Ele sabia que não. Mas batia o pé: os desejos estariam quase sempre disfarçados. Sigmund explica: “Um dia falei para uma paciente, a mais inteligente das minhas sonhadoras, que os sonhos são a realização de desejos. No dia seguinte ela me contou ter sonhado que estava indo viajar com a madrasta”, escreveu em seu A Interpretação dos Sonhos, de 1899. “Mas eu sabia que, antes, ela tinha protestado contra o fato de que teria de passar o verão na mesma vizinhança que a madrasta. De acordo com o sonho, então, eu estava errado. Mas era o desejo dela que eu estivesse errado, e esse desejo o sonho mostrou realizado.” Bom, às vezes uma viagem de trem com a madrasta é só uma viagem de trem com a madrasta…

Então, não podemos generalizar, mas quando sonhamos, geralmente é o que nosso inconsciente deseja. Nós não escolhemos os sonhos, mas devemos prestar muita atenção neles, pois podem haver mensagens escondidas, desejos reprimidos, ou mesmo coisas que devemos superar e aceitar. ‘Podemos aprender sobre as emoções que nos guiam na vida real se prestarmos atenção nos sonhos’, diz o psiquiatra J. Allan Hobson, de Harvard. O exercício aí é tentar decifrar as metáforas dos sonhos, encontrar quais elementos da sua vida estão por trás delas – uma tarefa profunda e pessoal em que nenhum dos dicionários de sonhos já feitos desde a invenção da escrita vai poder ajudar.

Eu realmente estou tentando entender os meus. Ó céus, alguém me mande uma luz? Porque está muito, muito difícil!

E O ASSUNTO DE HOJE… SONHOS

Hoje é aquele típico dia em que eu poderia escrever vários posts, pois me surge inspiração de vários lados! (tá, dias em que tenho várias ideias para postar não são típicos, são raros, e não é inspiração o que me move – não hoje)

Depois de ter tantos sonhos malucos (do tipo que mudam até o seu humor durante o dia) achei que já estava na hora de escrever sobre esse tema no meu blog. Vai ficar um pouco extenso, mas vamos lá…

A visão pré-histórica dos sonhos é relativa à antiguidade clássica. No entanto, acreditava-se que esses sonhos eram relativos à deuses e demônios, e tinham um papel fundamental na época  – que seria de prever o futuro. Acreditava-se que o sonho era introduzido por uma instância divina. A partir daí criou-se duas correntes antagônicas dos sonhos que acabou por influenciar as opiniões oníricas por toda a história. Dividindo, assim, nos verdadeiros e válidos, para advertir o homem ou simplesmente predizer-lhe o futuro; e nos sonhos vãos, destituídos de valores, cujas intenções eram destruí-lo ou desorientá-los.

A mitologia dos próprios gregos, por exemplo, delega a responsabilidade dos sonhos aos filhos de Hypnos, deus do sono, que por sua vez era irmão gêmeo de Tanatos, deus da morte. Entre os filhos de Hypnos estavam o célebre Morfeu, que trazia os sonhos dos homens; Icelus, que provocava os sonhos nos animais; e Phantasus, que despertava sonhos nas coisas inanimadas. Outro deus relacionado aos sonhos era Esculápio, cultuado em templos aonde as pessoas doentes iam para receber a cura divina durante os sonhos. Ou seja, o sonho não era visto como uma produção da mente humana, mas como um fenômeno sobrenatural

Aristóteles em suas duas obras relacionadas aos sonhos, dizia que os mesmos não tinham relações divinas e sim ‘demoníacas’, visto que a natureza era demoníaca. Os sonhos na realidade não provêm  do sobrenatural, nem tão pouco prevêem o futuro; estão relacionados às leis do espírito humano. Enfim, define-se sonho como uma atividade mental de quem está dormindo, na medida em que, está adormecido. Aristóteles já tinha alguma visão certa sobre o sonho, por exemplo, ele já sabia que os sonhos dão uma visão ampla dos pequenos estímulos nervosos enquanto dormimos. Mas sua visão ainda era muito pequena.

Freud escreveu sobre o assunto usando em grande parte os próprios sonhos como base (sim, de novo ele). Apesar dos avanços da neurociência, suas ideias sobre o mundo onírico continuam respeitadas. Faz sentido? Sim. E não. Vou deixar para o próximo post…

 

FREUD E O SOFRIMENTO

‘Nos privamos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, e guardamos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados. Por que não nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Por que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, nos esforçamos mais para evitar o sofrimento do que pela busca do prazer.’

Sigmund Freud

…acho que não estou na categoria dos refinados. não mesmo.

A REPETIÇÃO NA PSICANÁLISE (DE FREUD)

Freud

Freud chamou de “compulsão à repetição” o processo de reviver interminavelmente determinada neurose; assim sendo, quando alguém repetia um relacionamento ou acontecimento frustrado, seria uma tentativa de descarregar a energia acumulada ou represada até conseguir o êxito de sua missão.

Freud associou tal complexo ao instinto de morte inato no ser humano, pois o prazer absoluto ou a ausência da dor apenas seriam obtidos no retorno ao inanimado, que seria a morte. Embora tal conceito até o presente seja um tanto difícil de ser elaborado, não precisamos ir muito longe para vermos que determinadas pessoas possuem um núcleo doentio de sempre estarem repetindo suas experiências mais dolorosas. porém, o que Freud deixou de mencionar é que a repetição na sua essência é um desafio imposto pelo ego frente ao orgulho ferido. a pessoa, mesmo sabendo do risco da continuidade de determinada desgraça, aceita novamente uma situação similar, como o jogador compulsivo.

(trecho extraído do livro Vacaciones de Ana Paula Barbi)

 

Para (eu) refletir…