A EXPECTATIVA E SEUS LADOS (PARTE II)

Na parte I (aqui), abordei pontos positivos em não criar expectativas, e como ela pode ser prejudicial na nossa felicidade e a maior causa dos nossos desapontamentos. Agora, vou tratar a questão de uma forma diferente. Falarei de forma mais realista, pois o otimismo já estaria mais ligado à esperança do que na própria expectativa. Explicar seus significados não é fácil, pois ambos são semelhantes:

expectativa (ex-pec-ta-ti-va)  s. f. Esperança fundada em promessas, viabilidades ou probabilidades: a expectativa de um bom negócio. Ansiedade, esperança: estar na expectativa de ser nomeado.

esperança (es-pe-ran-ça) s. f.  1. Ato de esperar o que se deseja. 2. Expectativa. 3. Fé em conseguir o que se deseja. 4. O que se espera ou deseja

Pela definição do dicionário, podem até parecer sinônimos, mas é possível ver a diferença. Enquanto a expectativa é uma ‘esperança fundada’; a  esperança é um ato de inação, de inércia, de esperar pelo o que se quer, simplesmente pelo desejo, mesmo sabendo que em vias de probabilidades, pode ser impossível. Logo, está mais ligada à fé. E como a fé já seria um assunto que envolveria várias variáveis, vou manter o foco na expectativa.

Quando você reprime seus desejos, ou quando tem pé atrás com tudo; você não sonha acordado, não cria mil fantasias na sua cabeça com determinada situação, ou não se entrega completamente, porque por trás disso tudo sempre há o pensamento pessimista (ou quase realista) de que as coisas podem dar errado a qualquer momento, e para que não sofra, é necessário ir com calma, com certo receio. Nietzsche acreditava que vivendo assim, o homem nunca chegaria a seu estado  máximo de felicidade, pois nunca se permitiria viver intensamente. Já que quando embalado pela emoção, e não pela razão, o homem pode desfrutar de sentimentos e de sonhos. Continuando essa análise do filósofo, temos que lembrar daquele ditado: ‘quanto maior o salto, maior o tombo’. Quanto mais você sonhar com algo, e se entregar a determinada situação, caso se decepcione, a decepção será muito maior – dada a expectativa gerada. Então pode-se dizer que a felicidade e a frustração estão em dois extremos. O aumento de uma consequentemente aumenta a outra.

Para Nietzsche a felicidade é algo muito além, pois as pessoas em si se preocupam em desejá-la e não em possuí-la. Segundo ele, não existe estado pleno de felicidade e sim momentos felizes que podem ser prolongados. Você pode chegar em determinado nível de felicidade, mas não pode mantê-lo para sempre. A questão é: será que não vale a pena correr todos os riscos?  Mesmo sabendo que pode sofrer, não seria melhor aproveitar ao máximo determinado momento?

Maquiavel ao analisar as ações humanas através dos séculos e da história, percebeu que os acontecimentos eram repetitivos. Essa repetição é uma perpétua sucessão de acontecimentos que apesar de ocorrerem em diferentes épocas possuem o mesmo caminho. Os fatos históricos repetem-se em linhas mestras, e a partir dessa repetição é possível conhecer e recorrer a esses eventos passados como fonte para a análise do presente. Claro que a sua tese era baseada na política e feita para o governante construir um caminho com base nos acontecimentos passados; mas ela pode ser usada para nós cidadãos comuns também. Fatalidades e decepções que acontecem em nossas vidas, têm de servir para que não cometamos os mesmos erros novamente. Podemos – e devemos – aprender com as situações passadas. Logo, você pode criar suas  expectativas, mas tendo sabedoria. O importante é sempre ter uma visão mais realista da coisa.

Termino a segunda parte do texto aqui; na terceira, será mais uma conclusão geral com meus pitacos pessoais. Mas vale a pena pensar por hoje: Se a vida fosse só alegria,  talvez nos tornaríamos negligentes com ela e não dariamos o verdadeiro valor que ela merece. Nos acomodaríamos e ela perderia a graça e o sentido. Alguns momentos em nossas vidas são tão bons, que acabam se tornando inesquecíveis. O preço por eles no futuro pode até ser caro, mas será que não vale a pena pagá-lo?

É isso. Em breve posto o fim da ‘trilogia’

QUANDO NÃO HÁ EXPLICAÇÃO

'sem a música, a vida seria um erro'

'without music, life would be a mistake'

Não que a vida seja necessariamente certa. Mas convenhamos que o titio Nietzsche tem razão ai em cima. Ela não seria só um erro. Seria uma droga.

Nada melhor para ajudar uma noite de insônia do que uma boa música. Pode não te dar sono, mas pelo menos alivia o tédio e a tensão… Claro, ela não é só bacana nessas horas. Mas por agora ser 5:33h da manhã achei a questão da ‘insônia’ mais propícia a ser citada.

Eu tenho uma coisa muito particular com música. É mais do que pegar um MP3 e curtir um som. É sentir o som, como se de alguma forma ele fizesse parte de você; e o mais engraçado é que muitas das vezes nem dá para saber o por quê. Ele não te lembra nada… Hoje procurando uma imagem com a frase do Nietzsche acima, coincidentemente achei uma frase que não conhecia:

Quando se ouve boa música fica-se com saudade de algo que nunca se teve e nunca se terá. – Samuel Howe

Eu costumo ficar ‘vagando’ pelo youtube ou mesmo no site do LetrasTerra tentando ouvir alguma ‘novidade’ velha, vamos chamar assim (tipo uma música de uma banda antiga que você nunca ouviu). E nesses passeios, eis que achei um som semana passada de um cara que eu curto demais, o Bruce Springsteen. O som é esse aqui:

Não me identifiquei com a letra, não estou na fossa, não estou apaixonada, ela não me lembra ninguém e eu não estou me arrumando para ir para Atlantic City. Por que raios não consigo parar de ouvir? Devo estar com a mesma sensação que o amigo Samuel ai em cima sentiu há muitos anos…

E vamos lá! Fim do texto, play mais uma vez(…)

O motivo deste post? Foi esse(susto):